Significando

Dentre tantos assuntos que passam pela minha cabeça em um dia, a maioria deles só passam mesmo, outros até permanecem por mais de alguns minutos. Os vencedores existem por vários dias; esses são os mais interessantes e complexos, no sentido de que se trabalhados podem render conclusões produtivas. Toda essa trabalheira para tentar dar significado as coisas. As palavras não podem ser só meras referências a objetos, frases nunca demonstram só um lado da moeda. Gestos causam mais do que espanto ou felicidade, alguns assemelhan-se a faca quente sobre a pele, rasgam e marcam facilmente. 

Tenho a impressão de que passei a vida inteira  sob influência do que o mundo e todas as outras pessoas gostariam que estivesse. Como se tudo estivesse sendo muito bem planejado, como um trem seguindo sua viagem sobre os trilhos da estrada. Tal impressão chega a me assustar quando penso na cadeia de planos e padrões de vida que governos tem para seus cidadãos. É claro que para alguns o “convênio” é melhor, pagam mais imposto, tem mais renda, logo são mais beneficiados, ou compram benefícios melhores.

Até os dilemas desses cidadãos mostram-se iguais. Proclamam que no ocidente todos são indivíduos, insubstituíveis, cada um com a originalidade do seu ser, no entanto todos buscam o mesmo fim com os mesmos meios, e porque, já que nos mostramos ”tão singulares” ? Mas pensando bem, creio eu, que ou nos oferecem uma grande mentira ou somos castrados e domesticados desde que o ar entra em nossos pulmões na primeira inspirada no hospital.

Essa visão geral , sistêmica de que o todo nos pressiona, nos impõe, no movimento guela abaixo não me agrada. Justamente porque acredito na força do NÃO, da negação frente a pressão positiva e enclausurante. Dizendo não nos forçamos a buscar o sim, o nosso sim, vislumbramos além do que está posto. Jean Paul Sartre tem uma frase que expressa bem essa atitude: “É importante exprimir um lugar para o “nada”, poder dar existência e concretude ao “nada” a fim de fazer real a possibilidade da negativa. A capacidade de conceber a negativa constitui a liberdade de imaginar outras possibilidades. O poder de negar constitui a liberdade de imaginar outras possibilidades de escolher, é o princípio da liberdade do pensamento, de imaginar outras possibilidades, e da liberdade de ação ou seja tentar realizar concretamente a liberdade”. Sendo assim se o indivíduo, na minha visão, sempre tem essa opção de dizer não, a ação de tudo ao seu redor, recai sobre ele, é de sua responsabilidade e vontade. Estaria em plena contradição caso sempre negasse só verbalmente e agisse de modo incoerente com seu não anterior. Pra exemplificar, essa questão ambiental cabe bem. Todos querem plantar árvores sem pensar em deixar seus carros em casa nem discutir a melhoria do transporte público e de novos meios de transporte público. Sempre na tensão público X privado, interesse geral X interesse pessoal, a velha questão da alteridade, mal resolvida por sinal.

Submetidos a essa forma de vida desde cedo não poderiamos querer agir de outra maneira. Nunca tentarmos sair ou se afastar dela só arrastaria o problema. A única saída então é dizer não e buscar resignificar as coisas ao nosso redor.Dar nossos próprios significados a nossa realidade e assim se fará no mundo. As coisas vão bem se se faz o dever de casa, mas também acho necessário escolher qual, porque, quando, como faremos o dever de casa.

Quando se diz não, o trem por um momento sai dos trilhos, do trilho dos outros. No entanto abre-se a oportunidade de escolha e construção do nosso próprio trem e de nossos próprios trilhos e estradas. A direção quem dá agora não é o antigo e velho maquinista.

Ta ae um cara que deu significado próprio as coisas. Bem bacana esse filme.

There are no comments on this post

Leave a Reply